A dor é percecionada a nível do cérebro, mais precisamente no córtex cerebral, mas antes do sinal da dor poder ser percecionado, já percorreu o organismo desde a periferia até ao sistema nervoso central (SNC).

 

A dor serve de sinal de alerta de uma lesão iminente ou atual. Como tal, a dor desempenha uma importante função na prevenção de lesões orgânicas e, quando ocorre efetivamente lesão, no restabelecimento das funções normais do organismo. Todavia, a dor poderá também ser ocasionalmente percecionada na ausência de qualquer lesão tecidular, ou a sua intensidade poderá não ser proporcional à lesão original, sendo considerada aqui uma doença por direito próprio: dor crónica.

As razões mais frequentes que levam os doentes a sofrer de dor crónica são a osteoartrose, a lombalgia e a dor relacionada com o cancro:

 

* A osteoartrose é a mais prevalente de todas as doenças articulares crónicas, perfazendo metade de todas as formas de artrose; sendo uma das razões mais comuns para a instituição de uma terapêutica analgésica. A dor aguda associada à fase mais precoce da osteoartrose tende frequentemente a atenuar-se, mas pode retornar e tornar-se crónica caso a dor não seja, nas fases precoces, devidamente controlada.

 

* A lombalgia não constitui, por si só, uma doença, mas sim o sintoma de múltiplos e diferentes tipos de doenças subjacentes. As causas da lombalgia são, entre outras, a osteoartrose, a osteoporose, as hérnias discais ou as distensões musculares. Em muitos casos, não é possível diagnosticar, com rigor, a causa real da lombalgia. O diagnóstico preciso da lombalgia é difícil de estabelecer devido à existência de diversos sintomas e pode apresentar simultaneamente características nociceptivas e neuropáticas. 

 

* A dor relacionada com o cancro resulta do tratamento oncológico ou do desenvolvimento do próprio cancro. A dor relacionada com o cancro está dependente do tipo de cancro, do estadiamento da doença e do limiar da dor (tolerância à dor) do doente, resultando geralmente da compressão ou infiltração em órgãos ocos, tecidos moles, ossos ou nervos. Mas poderá também ser causada pelo tratamento ou pelos exames realizados para diagnóstico da doença.

O tratamento atual da dor crónica baseia-se no nível na intensidade da dor percepcionada pelo doente. A escada analgésica da dor da Organização Mundial de Saúde (OMS), que divide os medicamentos analgésicos em três degraus distintos, defende, por exemplo, a utilização de fármacos não opióide no primeiro degrau, seguindo-se os opióides fracos e os opióides fortes, dependendo do aumento da intensidade da dor.

Contudo, uma vez que as condições associadas a dor crónica são, na sua maioria, de natureza multifatorial, o controlo efetivo da dor requer que sejam tomados em consideração os seus mecanismos subjacentes para permitir a seleção de um tratamento mais direcionado.

Por isso, se sente uma dor persistente há mais de 3 meses, procure o seu médico de família ou especialista para o ajudar a controla-la. Se a dor não for adequadamente tratada pode afetar gravemente a sua qualidade de vida.

Para mais informações pode consultar: http://www.pain-cme.net ou www.change-pain.com.pt

 

Dr. Jorge Brandão

Médico de Medicina Geral e Familiar

Membro do Conselho de Administração da Fundação Grünenthal