Com esta edição, a número 1.040, assinalamos o 54.º aniversário do Jornal Beira Vouga. Sem holofotes virados para nós porque a nossa natureza não é essa. É com espírito de missão que trabalhamos. E é com gosto que o fazemos, mesmo quando nos doem os sacrifícios, que existem e não são tão poucos quanto isso. Cada número que chega às mãos dos nossos leitores é fruto de um trabalho que reúne esforços de toda uma equipa.

 

Somos dos projectos informativos com vida mais longa da nossa região. Temos orgulho nisso e somos gratos a quem nos abriu caminho. Sabemos das muitas dificuldades ultrapassadas por quem esteve aqui antes de nós. Também nós temos afastado algumas pedras. Um exercício que nos tem feito criar músculo.

Fundado por Vasco de Lemos Mourisca, durante vários anos, o Jornal Beira Vouga serviu apenas o concelho de Albergaria-a-Velha. A sua primeira fase teve a duração de 12 anos (1941/1953) e chegou a ter o Comendador Augusto Martins Pereira como seu proprietário. Em 1962 o Beira Vouga dá início a sua segunda fase, com José Figueiredo, e mais tarde, com Augusto Silva chega a Sever do Vouga. Quando um jornal conta as histórias de uma região há tanto tempo, acaba também por fazer um pouco de história.

Há dez anos, o Beira Vouga iniciou um novo ciclo pelas mãos de Lino Vinhal. Com uma vastíssima experiência na imprensa regional, deu um novo fôlego ao jornal que passou a ter saídas em dias certos, um conteúdo informativo reforçado e uma publicidade mais dinâmica. Tudo isto ajudou a fortalecer este projecto editorial que ganhou uma maior estabilidade. A edição da 2.ª quinzena de Maio de 2005, a primeira sob a orientação atenta, próxima e cuidada de Lino Vinhal, marcava o início dessa nova fase.

Nestes últimos dez anos, muitas páginas foram escritas. Acompanhamos de muito perto projectos importantes para a nossa região e demos a conhecer as histórias das nossas gentes. Pessoas que nos inspiraram através de testemunhos que agarraram os nossos corações e nos embalaram pela noite dentro num sentimento de esperança. Nesta década, Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga ganharam uma nova dinâmica que foi registada nas mais de 4 mil páginas das cerca de 230 edições impressas. É verdade, temos trabalhado muito. Mas estamos longe de estar satisfeitos.

A reestruturação iniciada há dez anos não terminou. Somos um projecto vivo e queremos continuamente descobrir novos caminhos. Mas não queremos caminhar sozinhos. Queremos olhar à nossa volta e continuar a ver a comunidade envolvida num projecto que é de todos. As nossas páginas estão abertas a todos os que vierem por bem e quiserem engrandecer a nossa região. Vemos nas críticas e sugestões o incentivo necessário para dar um novo fôlego e ritmar a nossa caminhada. É por isso que somos muito gratos aos nossos Assinantes e Anunciantes que já entenderam a importância que o seu apoio tem para este projecto colectivo.

No fim de mais uma Feira Nacional do Mirtilo, um evento que nos diz muito porque divulga um produto de excelência da nossa região, deixo aqui uma pequena reflexão. Entre a I edição e a VIII, que agora termina, muitas histórias foram contadas. Em 2008, durante a I Feira do Mirtilo, as expectativas eram grandes, assim como a descrença e até indiferença de alguns. Naquela altura, eu gostava de chamar o mirtilo de ‘Fruto da Juventude’. Durante esses anos, muito escrevi sobre as dificuldades e desafios do sector. Sobre as vitórias também. No fim de mais uma edição, o cenário actual exige uma maior preparação, dedicação e competência. O mercado pede cada vez mais de quem produz. As dificuldades continuam a testar a persistência dos produtores que, entretanto, tiveram tempo de aprender. Os desafios podem ser até maiores, mas a verdade é que, colheita após colheita, quem produz ganhou ainda mais experiência. E eu continuo a acreditar que a terra devolve aquilo que lhe damos. É por isso que, hoje, gosto de chamar o mirtilo de ‘Rei dos Antioxidantes’. Pelo caminho que percorreu, pelo que deu a quem nele investiu e pela história que ajudou a construir, a coroa é bem merecida. Quero acreditar que, por vezes, a vida e a agricultura andam de mãos dadas. Fernanda Ferreira