A Carne Marinhoa é uma carne com identidade. Uma carne que se cruza com a história, os costumes, tradições e saberes de uma região. É um produto diferenciador, com uma qualidade de excelência. É também, contudo, uma carne em risco que poderá, inclusive, num futuro próximo, ficar extinta. Nos últimos anos, há sinais positivos que vêm contrariar esta tendência. Produtores, associações e municípios têm reconhecido o potencial do produto e apostado na sua promoção. Com o desenvolvimento do Baixo Vouga Lagunar, com mais território disponível, surgem novas oportunidades para o desenvolvimento do primeiro sector da economia, sendo a produção de gado, nomeadamente a carne Marinhoa, uma das possibilidades sustentáveis que pode ganhar força. Neste contexto o Beira Vouga promove nas próximas edições um trabalho jornalístico para melhor dar conhecer este produto da região, tendo, naturalmente, um enfoque especial no concelho de Albergaria-a-Velha.

Nas recordações dos mais antigos permanece as memórias das pintas amarelas no prado verde. A memória das feiras, dos trabalhos agrícolas em que eram os bois marinhões a força motriz. A memória da raça Marinhoa que, tendo o Vouga como pano de fundo, desenvolveu características únicas. Mudaram-se os tempos. O sector primário recuou, as máquinas revolucionaram o sector agrícola e, a pouco e pouco, a raça Marinhoa foi perdendo produtores e consequentemente efectivos. Estava quase desaparecida, mas, graças a alguns produtores que sempre persistem, em 1992, nasce a Associação de Criadores de Bovinos de Raça Marinhoa com dois objectivos bem definidos: A conservação da Raça Marinhoa e a sustentabilidade económica do produto. Um passo determinante para que a Marinhoa continue viva nos 19 concelhos em que é produzida, inseridas na zona lagunar do baixo Vouga. Treze concelhos em Aveiro e seis em Coimbra.

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