Opinião
A verdade oculta
| A verdade oculta |
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| Escrito por David da Fonseca Rodrigues | |
| 16-Set-2009 | |
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Ao reler a entrevista que o Sr. Mário Coutinho concedeu ao Jornal Beira Vouga, da 2ª. Quinzena de Julho de 2009, fiquei com a impressão de que ele, mais do que apresentar o seu programa político, pretendeu denegrir a imagem do PSD local. Primeiro acusando a actual Comissão Política de não ter querido cumprir a promessa de apoiar a recandidatura do Dr. João Almeida, a que, segundo disse, se tinham comprometido. Segundo, ao referir que «o movimento de Independentes é constituído fundamentalmente por pessoas de palavra que cumprem o prometido», quer deixar subentendido ou transmitir a mensagem que os outros o não serão. Isto é feio. Não duvido que tenham tais qualidades, mas não têm delas a sua exclusividade. E como não falou verdade na referida entrevista, num artigo inserto no jornal da 1ª. Quinzena de Agosto de 2009, eu acusei-o de ter mentido, provando-o factualmente. No Jornal da 1ª. Quinzena de Setembro de 2009, o Sr. Mário Coutinho, num arrazoado de considerações esfarrapadas, tentou justificar o injustificável, como a seguir vou tentar demonstrar. 1º. Diz a certa altura: «Se a actual Comissão Política quisesse apoiar essa candidatura, hoje o candidato do PSD seria o Dr. João Almeida». Não entende o Sr. Mário Coutinho que os membros do PSD, por fidelidade partidária, não podem nem devem apoiar quem concorre contra o Partido? Eles não são como o camaleão que muda de cor conforme a cor do galho que ocupa. Se o Dr. João pretendia que o apoiasse não saísse do Partido e nem abandonasse os seus camaradas, que teria, hoje, o apoio de todo, ou da sua maior parte, penso eu. 2º. A certa altura diz: «Não acusei nem critiquei a actual Comissão Política por não ter apoiado a recandidatura do Dr. João Almeida; não disse que estava a agir mal ou bem; não disse que tinha obrigação de cumprir a promessa. Nada disse. Se nada disse ou comentei, como poderia ter mentido?». Ora, na sua entrevista, disse: «Por razões que aqui não interessa comentar, a actual Comissão Política do PSD não quis cumprir a promessa». Onde está a verdade, na entrevista ou no artigo de opinião? Oh! Sr. Mário Coutinho, não pretenda comparar-me aos Pachecos, Vitorinos e Marcelos, porque, como sabe ou devia saber, esses são figuras gradas, respeitadas e respeitáveis, no mundo da Política Nacional e eu não estou nesse patamar. Sobre a recusa do consenso entre as partes, a que se refere, como poderia a actual Comissão Política aceitar as imposições da minoria sobre a maioria? São essas as regras democráticas? São essas as suas regras? É partidário delas? O Sr. Mário Coutinho, de forma pouco delicada e insidiosa, procurou apoucar a minha pessoa, por ter servido a Polícia. Quero lembrar-lhe, se o não sabe, que o exercício do cargo de agente de autoridade, seja da PSP, da GNR, ou da PJ, é uma das profissões mais nobres. Porquê? Porque a sua principal missão é a defesa da ordem e da tranquilidade pública e a salvaguarda da vida e dos bens dos cidadãos. Tenho muito orgulho em ter sido oficial da Polícia. E exerci este cargo tantos anos na Ditadura como na Democracia. Num e noutro tempo, o meu modo de actuar foi sempre o mesmo. Respeito escrupuloso pela Lei e pelo cidadão e firmeza no exercício da autoridade, mesmo que tivesse de fazer uso «da pistola engatilhada», que tanto poderia trazer à cintura, debaixo do sovaco ou no bolso, se a tanto fosse obrigado ou a situação o exigisse. Sr. Mário Coutinho, terminada esta crónica, não preciso desejar-lhe os maiores êxitos no seu mandato de Presidente da Junta da Freguesia de Sever do Vouga. O Senhor vai ser eleito. Afianço-o. Foi uma óptima escolha dos Independentes. Eu votava em si. Tinha-o e tenho-o como um amigo. Espero que este desaguisado não tolde as nossas relações. Falou-me do seu Pai. Eu trabalhei com ele muitos anos, ora nas profundezas das minas do Braçal, ora nos fornos da Empresa. Era um homem bom, honesto, sério, educado, sempre disposto a ajudar o outro, sempre alegre, apaziguador e muito paciente. Era um verdadeiro exemplo a seguir e que muito ajudou a formar a minha personalidade. David da Fonseca Rodrigues
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